É certo que vivemos num mundo ruidoso, e também é certo, pelo menos para mim, que devemos aprender a encontrar silêncio interno, no meio do ruído do mundo. É nos desafios, nas dificuldades, nas relações do dia a dia, que aprendemos, evoluímos e tomamos consciência de quem somos e de onde estamos.

No entanto, para mim é essencial tirar alguns dias por ano, para me retirar. Para sair do mundo, das redes sociais, da exigência das tarefas e responsabilidades, dos hábitos, e das rotinas confortáveis onde me vou instalando.

Hoje vou para um desses momentos. Durante esta semana estarei num Mosteiro budista, em Portugal, simplesmente a meditar, a cumprir as tarefas e rotinas monásticas, e a estar. Só estar!

Estes são dias abençoados para mim. Lá não está ninguém que me diz o que fazer, eu chego e integro-me nas rotinas e tarefas dos monges. Sou livre naquilo que escolho fazer com o tempo livre, mas imponho a mim mesma algumas regras para conseguir realmente desligar-me.

Algumas das minhas regras são; telemóvel sempre no quarto sem som, e sem net, só olho para ele de manhã e à noite, ou para tirar alguma foto, pronto. 😊 Não levo o computador, e as minhas únicas distrações são escrever, ler às vezes, caminhar e contemplar.

Durante o resto da semana, o meu horário de acordar será às 4h45 para estar a meditar às 5h durante 1 hora. A seguir farei as tarefas que me destinarem para a manutenção do mosteiro, e depois tomarei o pequeno-almoço.

As seguir mais tarefas, porque o trabalho é essencial na vida espiritual, e por volta das 11h almoçamos, e manteremos o jejum até ao dia seguinte. A tarde é livre para mim, às 19h voltamos a meditar, e antes das 21h já devo estar a dormir. E vai ser isto durante o os próximos dias.

Não coloco muitas expectactivas para o regresso, voltarei como tiver de voltar, e viverei lá os que tiver de viver. Mas sei que estes retiros religam-me à minha essência, e limpam da minha energia o que é supérfluo. Descanso, sossego, restabeleço a ligação à minha Alma, desafio-me a quebrar as minhas rotinas e horários confortáveis, fortaleço-me.

E quando é para ir, é para ir. É um chamado ao Silêncio e ao serenar da mente. Eu escuto o chamado, e vou!

Até já!

Ana Monção Guerreiro

20 Abril 20121